Resumo da semana: Quebra do SVB e Credit Suisse coloca Bancos Centrais na parede

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Quebra do SVB e Credit Suisse coloca Bancos Centrais na parede

A semana foi turbulenta no mercado financeiro, marcada por algo que não acontecia há tempos: a quebra de dois grandes bancos, algo que assustou aos investidores e colocou em xeque a conduta de política monetária dos principais Bancos Centrais. Confira tudo o que aconteceu no Resumo da Semana dos dias 13 a 17 de março.

Resumo da semana: o mercado financeiro na palma da sua mão

Segunda-feira (13)

O dia começou no puro colapso após o Silicon Valley Bank ser fechado pelo Federal Reserve, Banco Central americano, na sexta-feira por falta de liquidez diante do colapso financeiro da instituição. O SVB, que fazia empréstimos a alguns dos maiores nomes do mundo da tecnologia, se tornou o maior banco a falir nos Estados Unidos desde a crise financeira de 2008.

O que aconteceu?

A mídia americana relata que um dos fatores que resultou na falência do SVB é o aumento na taxa de juros dos EUA, que passou de 0,25%, em 2020, para 4,75%, em fevereiro deste ano.

O SVB atendia principalmente startups e financiadores. Como o setor de tecnologia começou a desacelerar nos últimos meses, com os constantes aumentos na taxa de juros para frear a inflação, as empresas atendidas pelo SVB começaram a retirar dinheiro mais rápido do que o esperado.

Além da queda nos recursos, o SVB também viu novos investimentos minguarem. Com isso, o banco foi ficando sem dinheiro. Para piorar a situação, o banco havia realizado uma série de investimentos no Tesouro dos EUA e em títulos de dívida pública ligados ao governo. Com o aumento da taxa de juros, os valores desses títulos foram caindo.

A imprensa americana relatou que, na quarta-feira (6), o SVB anunciou a venda de diversos títulos com prejuízo. Em uma tentativa de equilibrar as contas, o SVB afirmou que venderia US$ 2,25 bilhões em novas ações. Entretanto, o anúncio gerou pânico em empresas de capital de risco, fazendo com que investidores retirassem dinheiro do banco.

Após anunciar na quinta-feira (9) que estava tentando levantar US$ 2,25 bilhões (R$ 11 bilhões) para cobrir uma perda causada pela venda de ativos, as ações do SVB tiveram sua maior queda, de mais de 60%, em um dia.

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Qual o tamanho e a importância do SVB?

O Silicon Valley Bank tinha cerca de US$ 209 em ativos totais e US$175 bilhões em depósitos totais até o fim de 2022, o que o tornava o 16º maior banco dos EUA, segundo o Federal Reserve – o banco central norte-americano.

FED, Secretaria do Tesouro e FIDIC agem rápido

Em comunicado conjunto, Federal Reserve, Departamento do Tesouro e Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) informaram que as ações buscam “proteger a economia dos EUA” e fortalecer o setor bancário.

De acordo com a nota, a ideia é assegurar que os bancos desempenhem o papel de salvaguardar os depósitos e proporcionar o acesso ao crédito para famílias e empresas, com objetivo de promover um crescimento econômico “forte e sustentável”. “Nenhuma perda associada à resolução do Silicon Valley Bank será sustentada pelo contribuinte”, garantiram os órgãos americanos.

A Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), que normalmente protege depósitos de até US$ 250 mil, disse que assumiu o controle de cerca de US$ 175 bilhões (cerca de RS 900 bilhões) em depósitos mantidos no banco.

Os escritórios e agências do banco devem ser reabertos “até segunda-feira de manhã”, quando clientes com depósitos segurados poderão ter acesso aos fundos. Ainda de acordo com a FDIC, o dinheiro obtido com a venda dos ativos do banco irá para depositantes não segurados.

A quebra do SVB fez com que o mercado passasse a projetar um FED menos agressivo na reunião do FOMC dia 22, reduzindo as apostas de um aumento de 0,50 p.p. para apenas 0,25 p.p. Isso porque, grandes players acreditam que o Banco Central norte-americano ira ponderar o ritmo de aperto monetário para evitar a quebra de outros bancos.

Terça-feira (14)

O segundo dia da semana foi mais tranquilo, o mercado recebeu com bons olhos a rápida resposta dos principais órgãos americanos à falência do SVB, mostrando que tudo estava sob controle e que eles tinham “as rédeas” da situação.

No entanto, os Estados Unidos continuaram no radar. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos Estados Unidos subiu 0,4% em fevereiro na comparação com janeiro, segundo dados com ajuste sazonal divulgados nesta terça-feira (14) pelo Departamento do Trabalho americano. A inflação para o consumidor atingiu 6,0% no acumulado em 12 meses. A inflação do mês ficou dentro do estimado pelos analistas. O consenso Refinitiv apontava para alta de 0,4% na comparação com janeiro. A projeção para 12 meses era de 6,0%.

O núcleo da inflação, que desconsidera as variações de alimentos e energia, subiu 0,5% no mês e 5,5% nos últimos 12 meses. O índice de alimentação aumentou 0,4% no mês, com a alimentação em casa subindo 0,3%. O índice de energia caiu 0,6% ao longo do mês, puxado por gás natural e óleo combustível. O índice de energia aumentou 5,2% nos 12 meses encerrados em fevereiro. Já o índice de alimentos aumentou 9,5% no período.

No Brasil, Fernando Haddad, Ministro da Fazendo, participou de uma live do Valor Econômico junto com O Globo e falou sobre Selic e Arcabouço Fiscal. Taxa de Juros

Haddad aproveitou os questionamentos sobre a falência do SVB nesta segunda-feira  para fazer uma espécie de alerta às autoridades monetárias sobre “os impactos prejudiciais de uma taxa de juros elevada”, que “podem desorganizar as economias de seus países”. No evento do Valor Econômico com o O Globo, ele trouxe o contexto para o Brasil.

Para o ministro, há pouco espaço para aumento de taxa de juros no mundo e que o Brasil está na contramão, com “uma gordura” que permite reduzir a nossa Selic. Por aqui, os juros estão a 13,75% há alguns meses. Quando foi elevado há sete meses, em agosto do ano passado, a inflação estava com mais de 8,73%, e agora está em 5,6% (e é essa “gordura” que ele menciona).

Arcabouço fiscal

Haddad disse que a proposta sobre o “novo arcabouço fiscal” tem sido tratada com cautela para evitar um vazamento que possa configurar informação privilegiada. Mas reiterou que o texto teve boa aceitação entre técnicos e acadêmicos. A ideia é que até que a gente conheça os detalhes até a próxima reunião do Copom, na quarta-feira, 22.

Quarta-feira (15)

CHINA

Produção Industrial

A produção industrial da China cresceu 2,4% em janeiro/fevereiro, ante igual período do ano passado, informou nesta quarta-feira, 15, o Escritório Nacional de Estatísticas do país (NBS, na sigla em inglês). O resultado ficou aquém da previsão de analistas consultados pelo Wall Street Journal, que esperavam crescimento de 2,8%.

Análise da CM:  A segmentação por característica de propriedade mostra que houve expansão de 2,7% das empresas estatais, crescimento de 4,3% das empresas com participação, encolhimento de 5,2% das empresas financiadas por investidores estrangeiros e expansão de 2,0% das empresas privadas. O Índice de Gerentes de Compras da Indústria ficou em 52,6%, 2,5 p.p. acima do mês anterior. O Índice de Expectativa de Produção e Operação também apresentou alta (+1,9 p.p.).

Vendas no varejo

As vendas no varejo apresentaram expansão de 3,5% YoY em fevereiro, em linha com as expectativas dos analistas de mercado. Esse é o melhor resultado dos últimos 4 meses. Os bens de consumo cresceram 4% YoY nas áreas urbanas, ao passo que nas áreas rurais o crescimento foi marginalmente maior (4,5% YoY). As vendas de produtos industriais cresceram 2,9%. Já as vendas no varejo de alimentos e de vestuário cresceram 9,0% e 5,4% respectivamente.

CREDIT SUISSE: PRINCIPAL ACIONISTA NEGA ASSISTÊNCIA; AÇÕES DESABAM

As ações do banco Credit Suisse operavam em forte queda na manhã de quarta-feira, 15, após o principal acionista da instituição suíça, o Saudi National Bank (SNB), da Arábia Saudita, descartar a hipótese de oferecer mais assistência financeira à instituição. “A resposta é absolutamente não, por muitas razões além da razão mais simples, que é regulatória e estatutária”, disse o presidente do SNB, Ammar Al Khudairy, em entrevista à Bloomberg.

Os ativos do banco suíço foram abaixo de 2 francos suíços (US$ 2,18 ) e o regulador de mercado suspendeu as negociações do papel várias vezes uma vez que o volume disparou e a ação despencou.

Vale lembrar que no final do ano passado, o banco suíço afirmou que estava vendo retiradas significativamente maiores de depósitos, não renovação de depósitos a prazo e saídas líquidas de ativos em níveis que excediam substancialmente as taxas incorridas no terceiro trimestre de 2022.

O Credit Suisse viu retiradas de clientes de mais de 110 bilhões de francos suíços no quarto trimestre, enquanto uma série de escândalos, riscos herdados e falhas de conformidade continuavam a impactar o banco e afetar a sua recuperação.

Quinta-feira (16)

O dia foi marcado pela decisão de política monetária do Banco Central europeu. A instituição monetária não se viu pressionada pelas recentes quebras de dois grandes bancos e optou por elevar a taxa básica de juros em 0,50 p.p.

O Banco Central Europeu (BCE) optou por ignorar os indícios de uma crise bancária dos últimos dias e decidiu nesta quinta-feira (16) manter o ritmo de aperto de sua política monetária, optando por uma nova alta de 50 pontos-base em suas taxas de juros, a exemplo do que já havia feito em dezembro e em fevereiro.

A taxa de refinanciamento (a principal) subiu de 3,0% para 3,50%; a taxa sobre depósitos de 2,50 para 3,0%, e a taxa sobre empréstimos marginais de 3,25% para 3,75%. A autoridade monetária atribuiu a decisão à projeção de que a inflação deve permanecer muito alta por muito tempo e comentou que o elevado nível de incerteza reforça a importância de uma abordagem dependente de dados para as decisões de taxa de juros.

O Conselho do BCE comentou ainda que está acompanhando de perto as atuais tensões do mercado e que está pronto a responder conforme necessário para preservar a estabilidade de preços e a estabilidade financeira na Zona do Euro.

No Brasil, o Ministério de Minas e Energia (MME) enviou ofício à Petrobras (PETR4) no qual apresentou, de forma suplementar, três indicações ao Conselho de Administração da companhia, disse a empresa nesta quarta-feira.

Os indicados são Renato Campos Galuppo, advogado que foi assessor jurídico na Câmara dos Deputados até 2021, Anelize Lenzi Ruas de Almeida, atual procuradora-geral da Fazenda Nacional, e Evamar José dos Santos, consultor financeiro que atuou por quase quatro décadas como servidor na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

A assembleia está marcada para 27 de abril, após ser adiada anteriormente. O Ministério também formalizou quatro indicações para o conselho fiscal da Petrobras: Daniel Cabaleiro Saldanha e Cristina Bueno Camatta a assentos titulares, e Gustavo Gonçalves Manfrim e Sidnei Bispo a suplentes.

Sexta-feira (17)

PND-CONTÍNUA

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 8,4%% no trimestre móvel encerrado em janeiro, praticamente estável em relação à desocupação verificada em outubro (8,3%). Em dezembro, a taxa estava em 7,9%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e foram divulgados nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O dado ficou um pouco acima do esperado pelo mercado, que previa uma taxa de desocupação de 8,3%, segundo o consenso Refinitiv.

A taxa do período de novembro a janeiro é a menor registrada pelo IBGE desde 2015. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, houve queda de 2,9 pontos porcentuais.

ZONA DO EURO

CPI

O Índice de Preços ao Consumidor da Zona do Euro apresentou crescimento de 0,8% MoM em fevereiro, em linha com a expectativa de mercado, revertendo a retração de 0,2% registrada em janeiro. O núcleo do indicador, que exclui os grupos de alimentação e energia, sofreu variação de mesma magnitude, também ficando em linha com a expectativa de mercado, além de ter revertido uma retração de mesma magnitude do mês anterior. 

Na composição do resultado, destaque para o avanço de 1,7% MoM do grupo de alimentos, bebidas e tabaco, que segue pressionando significativamente a inflação da Zona do Euro e por mais um mês representou a maior parcela do resultado. Dentre os seus componentes, chama atenção o avanço de 3,7% MoM dos alimentos não processados, que apresentou avanço muito superior não só em relação ao grupo como um todo, mas também ao subgrupo de alimentos processados (+1,1% MoM).

Ainda tratando dos preços mais voláteis, o grupo de energia sofreu deflação de 1,1% MoM, retomando a trajetória de queda iniciada ainda na segunda metade do ano anterior. Os bens industriais tiveram alta de 0,8% MoM, enquanto os serviços expandiram 0,9% MoM.

CHINA

O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) informou nesta sexta-feira (17) que decidiu cortar o índice de compulsório (RRR) para instituições financeiras em 0,25 ponto percentual a partir de 27 de março, para manter a liquidez razoavelmente ampla e atender melhor à economia real.

Segundo o Banco Central chinês, esse corte no volume de dinheiro que os bancos devem manter como reservas não será aplicado a instituições financeiras que já implementaram um RRR de 5%.

Após bancos privados, BB e Caixa também suspendem consignado do INSS

Um dia após bancos privados decidirem suspender o crédito consignado para beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), depois que o governo federal reduziu as taxas de juros da modalidade de crédito, o Banco do Brasil (BBAS3) a Caixa Econômica Federal decidiram fazer o mesmo.

A suspensão foi revelada pelo g1. Procurada pelo InfoMoney, a Caixa afirmou na manhã desta sexta-feira (17) que “suspendeu a oferta do crédito consignado para beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para avaliação”.

Já o Banco do Brasil disse que, “tão logo haja novidades sobre a retomada das contratações no âmbito do convênio [com o INSS], informaremos”. A instituição disse ainda que “realiza estudos de viabilidade técnica sobre as novas condições”.

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