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Por que o Banco Central elevou a taxa de juros para 7,75%

A piora dos índices de preços, conforme o último dado divulgado (IPCA-15) que antecedeu a sétima reunião do Conselho de política monetária (COPOM) deste ano, acentuou a pressão sobre o Banco Central para uma elevação mais expressiva da taxa de juros, após seis anos de cortes.

Vamos entender melhor o que está impulsionando a inflação e avaliar os riscos para o horizonte relevante de política monetária considerado pelo Banco Central.

Inflação

O Índice Geral de Preço (IGP-M), registrou inflação de 0,64% em outubro, contra uma deflação de mesma magnitude em setembro.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), indicador que representa 60% do IGP, passou de -1,21% em setembro para 0,53% em outubro. Os bens intermediários e os bens finais seguem com inflação positiva e acima de 1% na medição mensal, mas tendem a apresentar arrefecimento nos próximos meses.

Contudo, o grande destaque para o mercado, ficou por conta do IPCA-15, índice considerado uma prévia da inflação oficial do país, divulgado às vésperas da reunião do COPOM, que registrou crescimento de 1,20% em outubro, muito acima das expectativas de mercado.

Em análise dos grupos que compõe o índice, o grupo de transportes apresentou alta com destaque para passagens aéreas e combustíveis. Vale destacar, que o último reajuste anunciado pela Petrobrás ficou fora da apuração do índice, o que tende a pressionar registro de aumento para o grupo na próxima medição.

A segunda maior contribuição veio do grupo de habitação, ainda com destaque para energia elétrica, considerado o maior impacto individual no índice para na medição mensal.

Na sequência o grupo de Alimentação e bebidas apresentou inflação de 1,38% no período, influenciado por alimentação no domicílio. Entretanto, vale destacar que o preço das carnes, após 16 meses consecutivos de alta, apresentou queda de 0,31%.

Por fim, os demais grupos ficaram no intervalo de -0,01%, como o de Saúde e cuidados pessoais, e, de 1,32% registrado pelo grupo de Vestuário.

Destaques do comunicado de política monetária

O comunicado da 242ª reunião do Comitê de Política Monetária, o comitê ressalta que, em seu cenário base para a inflação, permanecem fatores de risco de ambas as direções.

O ambiente externo tem se tornado mais desafiador para as economias emergentes com a maior persistência da inflação em âmbito global.

No cenário doméstico o BCB ponderou que a atividade doméstica evoluiu pior do que o esperado. Vale destacar, que o Banco Central reajustou recentemente suas projeções para atividade econômica em níveis mais baixos em decorrência desses indicadores.

A instituição considera uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento recente nos preços das commodities internacionais, o que pode vir a conduzir uma trajetória da inflação abaixo do cenário base.

Por outro lado, segundo o comitê “novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal podem elevar os prêmios de risco do país”.

Assim, considerando o cenário base e o balanço de riscos, o Copom decidiu por unanimidade elevar a taxa básica de juros da economia em 1,50%, para Selic em 7,75% a.a.

Como ficam os investimentos?

Com o aumento mais robusto da taxa SELIC, os investidores começam a cogitar a expansão de posições de renda fixa no portifólio.

Os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), já apresentam melhores taxas no mercado secundário com vencimentos mais curtos. O que significa que o mercado já precifica um prêmio maior no curto prazo, considerando também as incertezas para o período eleitoral de 2022.

Para os investidores mais arrojados, o momento de baixa na bolsa abre oportunidades para que investidor reajustar as posições em boas empresas ou fIIs, com pagamentos de dividendos que podem equiparar a rentabilidade dos títulos de renda fixa.

Em síntese, momentos de incertezas no cenário doméstico, beneficiam exposições descorrelacionadas, como é o caso de ativos cambiais, commodities fortes como o “ouro”, fundos internacionais, fundos de estratégia macro, ETFs de índices, BDRS e fundos quantitativos.

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