Fim da temporada de balanços: Ibovespa surfa alto com resultados positivos

Temporada de balanços alavanca Ibovespa
Temporada de balanços alavanca Ibovespa

A safra de balanços corporativos do segundo trimestre de 2022 terminou nesta segunda (15) com um saldo, diga-se de passagem, para lá de positivo para o Ibovespa.

O principal índice da bolsa brasileira conseguiu, em meio a muita volatilidade, emplacar quatro semanas seguidas em alta, o que também reflete um apetite maior ao risco por parte do investidor.

E grande parte desse movimento positivo teve um empurrãozinho dos resultados corporativos, que em grande maioria, vieram acima das expectativas de mercado.

Com o fim da temporada de balanços do segundo trimestre de 2022, os investidores podem ter certa dificuldade em encontrar gatilhos para manter a recuperação do principal índice da bolsa brasileira de quarta-feira em diante.

A divulgação dos resultados corporativos referentes ao segundo trimestre de 2022 começou em 19 de julho e foi até 15 de agosto, mais de um mês de balanços. Muitos fatores influenciaram o prejuízo, bem como os lucros das companhias, entre eles a guerra na Ucrânia e a retomada econômica da China, que fizeram com que as matérias-primas tivessem uma alta nos preços nos últimos meses. E os bons números acabaram puxando para cima caixa e lucro das empresas brasileiras.

Balanço petrolíferas  

Petrobras

O petróleo do tipo brent, por exemplo, valorizou quase 30% desde o começo do ano, o que deu um ponto positivo para as gigantes do petróleo. A Petrobras (PETR3, PETR4) fechou o segundo trimestre deste ano com lucro de R$ 54,3 bilhões, 26,8% a mais do que há um ano, e 21,9% maior que o registrado no primeiro trimestre de 2022.

Já o lucro líquido recorrente no segundo trimestre ficou em R$ 45 bilhões, 10,1% a mais que um ano atrás e 3,4% superior ao do trimestre imediatamente anterior. A receita de vendas no período subiu 54,4%, para R$ 170,9 bilhões, frente ao segundo trimestre de 2021, e 20,7% em relação ao primeiro trimestre deste ano.

O Ebitda, que mede a capacidade de geração de caixa da companhia, teve alta de 58,6% contra o segundo trimestre do ano passado e avanço de 26,4% em relação ao trimestre anterior, para R$ 98,2 bilhões.

PetroRio

Outro destaque vai para a PetroRio (PRIO3) que reportou um lucro líquido de US$ 139,9 milhões no segundo trimestre de 2022 (2T22), montante 112% maior que o reportado em igual período de 2021.

Já o Ebitida foi de US$ 249,2 milhões no 2T22, salto de 127% frente ao 2T21. Em termos ajustados, o Ebitda foi de US$ 269,287 milhões, avanço de 122%. A receita total somou US$ 377,3 milhões no segundo trimestre deste ano, crescimento de 95% na comparação com igual etapa de 2021. A margem Ebitda atingiu 66% entre abril e junho, alta de 9 pontos percentuais (p.p.) frente a margem registrada em 2T21.

3R Petroleum

Mas, como nem tudo são flores, indo na contramão de suas concorrentes, a 3R Petroleum (RRRP3) terminou o segundo trimestre do ano com lucro líquido de R$ 32,1 milhões, queda de 40,8% em relação aos R$ 54,3 milhões reportados no mesmo período de 2021.

Em sua defesa, a petroleira destacou em seu balanço que o resultado financeiro líquido fechou o trimestre negativo em R$ 132,1 milhões devido a: despesas ligadas aos instrumentos derivativos de hedge de Brent, em uma curva ascendente da commodity, totalizando R$ 140,6 milhões; e resultado negativo de variação cambial de R$ 39,9 milhões, relacionado a dívidas e compromissos de aquisição dolarizados.

Já a receita líquida trimestral da companhia saltou 161,5% em um ano, a R$ 399,6 milhões, reflexo da venda de 870,4 mil barris de óleo equivalente no período. O Ebitda ajustado totalizou R$ 205,8 milhões no trimestre, salto de 130,6% no comparativo anual. A margem Ebitda ajustada teve uma contração de 6,9 pontos percentuais, a 51,5%.

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Bancões também alavancaram o Ibovespa

Outro setor que acabou dando um empurrãozinho para o Ibovespa foi o dos bancos, um dos resultados mais aguardados na divulgação de balanços do 2TRI22. No entanto, vale destacar que as atenções se voltaram também para o aumento da inadimplência.

Os resultados acabaram sendo marcados pelo crescimento das carteiras de crédito, alavancadas pelo consumo. Os números mostraram que cartões de crédito, cheque especial e outras linhas de financiamento ganharam força. Alguns bancos até revisaram as projeções do ano para cima depois desses resultados.

Banco do Brasil

A começar pelo Banco do Brasil, a empresa foi bem-sucedida no balanço deste trimestre, com rentabilidade sobre o patrimônio líquido de 20,6% no trimestre, um salto de 6,1 pontos percentuais sobre um ano antes, com lucro recorrente de R$ 7,8 bilhões, alta de 54,8% ante mesma etapa de 2021.

Na teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre de 2022, os executivos do Banco do Brasil afirmaram que o cartão de crédito é o carro-chefe da mudança de mix do Banco do Brasil – que tem como objetivo elevar as margens financeiras para concorrer com outros players do mercado-.

A base de cartões do banco chegou a 13 milhões no segundo trimestre, alta de 21,5% em relação a um ano antes. O faturamento saltou de R$ 46,1 bilhões para R$ 66,2 bilhões entre os períodos. A inadimplência do cartão de crédito, por sua vez, saltou de 4,41% para 8% em um ano.

Itaú

Já o Itaú, maior banco privado do país, registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,679 bilhões no segundo trimestre de 2022, cifra 17,4% maior do que o registrado em igual etapa do ano passado. A carteira de crédito total do banco cresceu 19,3% entre os períodos, atingindo R$ 1,084 trilhão em junho de 2022. A de pessoas físicas aumentou em 33,1%, atingindo R$ 372,4. O índice de inadimplência do banco foi de 2,7% no segundo trimestre, elevação de 0,4 p.p. na comparação com igual etapa de 2021.

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Mais destaques

BB Seguridade

São muitos resultados, mas alguns merecem um destaque especial. Como foi o caso da BB Seguridade (BBSE3), empresa de participações (holding) controlada pelo Banco do Brasil S.A. (Banco do Brasil) e que atua em negócios de seguridade, que registrou o melhor trimestre desde o IPO. A companhia reportou um lucro líquido de R$ 1,226 bilhão no quarto trimestre de 2021, alta de 33,8% na comparação anual.

Cielo

Outra companhia que chamou atenção com o balanço do 2TRI22 foi a Cielo, que inclusive surpreendeu o mercado. A líder do setor de maquininhas no Brasil encerrou o segundo trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 635,3 milhões. Trata-se de resultado 252,2% maior que o do mesmo período do ano passado, e 244,1% maior que o do primeiro trimestre deste ano.

O resultado é o melhor desde o quarto trimestre de 2018. O Ebitda da Cielo foi de R$ 1,183 bilhão no trimestre encerrado em junho, 103,7% acima do apurado no mesmo período do ano passado. Em base recorrente, o Ebitda foi de R$ 914,7 milhões, alta de 57,5% em um ano. A receita líquida da companhia foi de R$ 2,540 bilhões, uma retração de 9,7% em relação ao segundo trimestre de 2021.

Minerva

Já no caso da Minerva (BEEF3), a empresa atingiu lucro líquido de R$ 424,7 milhões no segundo trimestre de 2022, com alta de 264% anualmente, mais do que o triplo do reportado em igual período de 2021, quando apurou R$ 116,7 milhões.

O Ebitda da principal exportadora de carne bovina da América do Sul totalizou R$ 778 milhões, representando uma alta de 42,8% na comparação anual, com margem de 9,2%. A receita líquida da Minerva no 2T22 atingiu R$ 8,5 bilhões, crescimento de 34,7% ante o 2T21.

Entre as empresas de e-commerce, Via e Magalu tiveram ações em disparada após resultados, enquanto Americanas teve queda. No comércio de alimentos, a inflação impulsionou o atacarejo, que busca formas de manter margens.

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Analistas explicam por que Ibovespa surfa onda positiva da temporada de balanços

Para o Analista CNPI da CM Capital, Alex Carvalho, de fato, o índice da B3 tem aproveitado muito bem os balanços corporativos referentes ao segundo trimestre de 2022.

“O índice surfa essa onda altista, com a valorização de praticamente 18% desde a última correção para baixo, então a gente vem trabalhando nessa alta, que é muito impulsionada pelo segundo trimestre do ano. Os bons resultados, principalmente acompanhado das ações ligadas as commodities, como o petróleo, principalmente, que acabou puxando bastante. Com isso, a gente teve bons balanços vindo de Petro e PetroRio”, explica.

Além disto, vale o destaque para outros setores que impulsionaram a maré positiva para o índice: “O segmento que mais acabou trazendo bons resultados para a bolsa foi o setor perene, que é o setor bancário. Então, a gente teve bons resultados vindo ali de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, esses foram os principais que acabaram impulsionando o índice mais ainda pra cima”.

Mas, e como índice deve trabalhar daqui pra frente? Para Alex, o foguetinho IBOV não deve dar ré tão cedo. “A ideia é que o índice continue trabalhando em cenário mais altista, claro dentro disso haverá algumas correções, mas ele deve continuar trabalhando em cenário altista para os próximos dias e meses também. Vale ter atenção para o período eleitoral, que pode balançar os rumos do índice, mas a ideia é que ele caminhe mais no cenário altista”, finaliza o analista CNPI.

No âmbito econômico

Ariane Benedito, economista e estrategista do Research de Varejo da CM Capital, também pondera que o Ibovespa foi bem beneficiado pela temporada de balanços e faz um adendo: “Trazendo mais para a parte econômica, o que que resultou em balanços melhores? Nós tivemos uma melhora no nível de atividade, com uma expectativa de PIB mais positiva para 2022, realmente advinda do setor de commodities. Vale lembrar que em momentos de crise, as pessoas procuram tanto no consumo, quanto na produção, intensificar a suas alocações e investimentos em setores mais perenes, setores de necessidades básicas”.

“O setor de commodities, assim como setor financeiro, representa muito bem isso, o que impacta na receita dessas empresas. Até mesmo a Vale apresentou um bom desempenho, mesmo com a queda do minério acumulado para o período, muito advindo do tamanho de market share que a empresa detém no mercado. Então, a expectativa da casa também é continuidade de melhora para esses setores”, complementa Benedito.

Chamam atenção

Entretanto, há um outro setor que acabou chamando atenção: “A gente chama atenção para as últimas precificações de ativos de maior volatilidade, que é o setor de varejo, que mesmo com a PMS indicando queda, apresentou advindo de volume negociado na bolsa um bom movimento de alta que também ajudou a manter o Ibovespa para cima nesses últimos dias”.

Além disto, há também os setores que se recuperam no pós-pandemia e caminham para a normalidade, o que ajudou a sustentar o IBOV: “Outro setor que a gente destaca é o das farmacêuticas, mas esse pelo lado negativo, pois tivemos um aumento nos preços advindo de uma utilização de serviços chamados de demanda represada, que foi a interrupção de serviços farmacêuticos e de saúde, que foram cancelados devido à pandemia, dando prioridade aos procedimentos essenciais. No entanto, agora, eles voltam a ser utilizados, o que ganhou tração e acabou precificando essas ações no mercado nos últimos dias. E o que pode vir a criar uma expectativa positiva para o próximo balanço, o que não foi o caso dos reportes referentes ao 2TRI22”.

Por fim, Benedito conclui: “Todos esses fatores combinados ajudaram para que o Ibovespa chegasse em patamares de 18% de alta acumulada, desde a última correção para baixo, no período de divulgações de balanços”.

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