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Cenário pessimista ou estagflação?

Os últimos dois anos trouxeram perspectivas de cenário pessimista para a economia global, de forma que é possível perceber, além da crise sanitária que testemunhamos, uma asfixia da atividade econômica e alta volatilidade dos preços dos bens e serviços da economia. Pensando nas perspectivas que o cenário vigente traz para 2022, é de extrema importância o diagnóstico preciso em relação aos indicadores macroeconômicos divulgados. Após a queda que foi observada em 2020, será que o nível de inflação é compatível com o grau de recuperação econômica que estamos vivendo?

Nestas duas últimas semanas tivemos a divulgação de dados extremamente relevantes que estão causando revisões nas perspectivas de todo o mercado, em relação a inflação, juros e PIB. Entretanto, a grande pergunta que traz mais preocupação ao mercado hoje é se estamos vivendo, novamente, período de estagflação. Estagflação, de acordo com os grandes manuais de economia, diz respeito a um baixo nível de crescimento econômico (estagnação), acompanhado da elevação generalizada dos preços da economia (inflação). Conforme é possível perceber no gráfico abaixo, a evolução da atividade econômica, medida pelo PIB apresenta desaceleração mesmo com a expansão da vacinação em território nacional, que, em tese, deveria representar aumento pela demanda de bens e serviços da economia. Entretanto, a forte aceleração inflacionária, sobretudo em componentes básicos do dia a dia do brasileiro, acaba minando o poder de compra do brasileiro, trazendo uma perspectiva negativa em relação às revisões de cenário econômico para o final de 2021.

O Banco Central recentemente anunciou uma nova aceleração no ritmo de aumento da taxa de juros para 2022, com objetivo de trazer maior controle para a inflação do ano que vem, que tem como centro de meta 3,5%. Entretanto, com sucessivas elevações na SELIC, haverá, também, impacto negativo no PIB do próximo ano. Portanto, o período que vivemos hoje apresenta uma aceleração inflacionária que só deve migrar para o teto da meta de inflação no em dezembro de 2022, com um nível de crescimento cada vez menor, e uma política monetária cada vez mais restritiva, o cenário é de deterioração cada vez maior das expectativas de mercado, conforme os indicadores continuam a apresentar piora.

Como é possível perceber no gráfico abaixo, os dados de vendas do varejo e produção industrial representam uma piora considerável na comparação com os meses anteriores, com serviços apresentando queda apenas na ponta da pesquisa (último dado divulgado). Isso representa que, mesmo com o nível de vacinação facilitar a circulação da população, a população não está consumindo, como se esperava, bens e serviços ofertados. O caso se torna mais dramático quando observamos a evolução da produção industrial em relação ao crescimento da taxa SELIC.

Observando a evolução e tendência de inflação, com expectativa de terminar 2021 acima de dois dígitos e 2022 acima do teto da meta de inflação, com um cenário cada vez mais desanimador em relação ao crescimento do PIB, sobretudo com dados na margem frustrando e desanimando o cenário para este ano e o próximo, o fantasma da estagflação volta a assombrar a economia brasileira. Apesar da tendência de queda da inflação para o próximo ano, elevação dos juros tende a trazer novos impactos negativos na atividade econômica, que já apresenta dificuldades de apresentar a recuperação esperada pelo mercado. Observando o crescente nível inflacionário que estamos vivendo, a manutenção elevada do nível de desemprego e revisões de cenário de PIB cada vez mais fracos para 2021 e 2022, o sentimento deste efeito se torna cada vez mais presente no cenário econômico.

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