Retrospectiva do mercado financeiro: o que impactou o investidor em 2023?

Enquanto nos despedimos de 2023, chegamos ao momento para uma retrospectiva do mercado financeiro que nos ajude a refletir sobre os eventos que moldaram o cenário ao longo do ano.

2023 foi marcado por uma interseção complexa de desafios globais e oportunidades emergentes que impactaram diretamente o mercado financeiro.

As alterações políticas e sociais exercem uma grande influência no cenário financeiro. Acompanhar as atualidades diárias torna-se uma prática comum para os investidores, uma vez que diversos acontecimentos podem afetar, ainda que de forma indireta, seus investimentos e seu bolso.

Neste artigo, faremos uma retrospectiva dos principais acontecimentos que influenciaram investidores, economias e instituições financeiras ao redor do mundo.

Retrospectiva do mercado financeiro: o que impactou o investidor em 2023?

Invasões ao Congresso Nacional

Uma semana após a posse de Lula, após meses acampados na capital federal, os apoiadores de Bolsonaro fizeram de Brasília palco de um ataque às sedes dos Três Poderes em protesto ao resultado das eleições.

No dia da invasão, mais de 1500 pessoas foram detidas, das quais 600 foram liberadas no dia seguinte. Foi apenas em setembro que o STF começou a julgar os atos, com penas que poderiam alcançar até 30 anos de prisão. Até o final de novembro, 25 pessoas haviam sido condenadas.

Os responsáveis intelectuais da invasão também estão sendo identificados. Até então Ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Anderson Torres, foi exonerado; o governador do Distrito Federal, Ibanez Rocha, foi suspenso do cargo.

A Procuradoria Geral da República pediu e o STF acatou a inclusão de Jair Bolsonaro no inquérito que apura a instigação e autoria intelectual dos atos antidemocráticos. O ex-presidente foi responsabilizado como autor, seja intelectual ou moral dos ataques.

Caso Americanas

Esse caso não poderia ficar de fora da nossa retrospectiva do mercado financeiro. Em janeiro, as lojas Americanas entraram com pedido de recuperação judicial após um rombo nos resultados da empresa.

De inicio foi anunciado um rombo de R$ 20 bilhões que acabou se transformando em mais de R$ 40 bilhões com o decorrer da investigação, o valor é devido para 16 mil credores.

Parte desse rombo é ligado ao registro de dívidas com fornecedores da companhia. Na operação, a Americanas comprava mercadorias de fornecedores e pagava com empréstimos do banco.

Assim, os fornecedores eram pagos e a Americanas apenas pagava o valor depois com o acréscimo dos juros aos bancos.

Porém a confusão começou quando ao invés de registrar a dívida financeira, a Americanas registrava no balanço a dívida com o fornecedor – que não tinha juros. Ao longo de vários anos, isso causou o rombo bilionário na companhia.

Em junho a varejista assumiu oficialmente que houve fraude bilionária nos resultados da companhia. Durante todo esse período as lojas físicas continuam abertas e funcionando normalmente. O mesmo vale para os espaços online. 

No processo de recuperação judicial, a empresa vai tentar renegociar as dívidas, um processo que costuma demorar meses, às vezes até anos, e enquanto isso, a empresa poderá tentar vender alguns ativos. 

Ano das recuperações judiciais

A Americanas não foi a única empresa que entrou com pedido de recuperação judicial. Nossa retrospectiva do mercado financeiro não pode deixar de fora a informação de que a quantidade de empresas em recuperação judicial explodiu no terceiro trimestre desse ano, que deve encerrar com índices recordes.

O Brasil atingiu a marca de 3.873 empresas em recuperação entre os meses de julho e setembro. São quase duas a cada mil em atividade no país.

Entre as empresas que entraram em processo de recuperação judicial está a 123milhas, que em agosto tinha mais de R$ 2 bilhões em dívidas e cerca de 700 mil credores para negociar — a maioria pessoas físicas. Na lista ainda entram Light, Oi, Grupo Petrópolis, M. Officer, e muitos outros.

Guerra Israel-Hamas

Os desafios geopolíticos também desempenharam um papel crucial em 2023. Tensões entre grandes potências, eventos inesperados e mudanças nas relações internacionais tiveram reflexos nos mercados. Um dos conflitos que mais chamou a atenção foi entre o Hamas e Israel.

Em 7 de outubro, o grupo Hamas disparou uma bomba contra Israel, dando inicio ao que hoje, completam mais de dois meses de conflitos.

O conflito já foi responsável por mais de 16 mil mortes, em sua maioria de moradores da Faixa de Gaza. Países ao redor do mundo buscam opções de cessar-fogo e resgate de civis de ambos os lados do conflito.

Oficialmente, esta é a primeira vez em que Israel decretou guerra contra o Hamas, e a primeira guerra admitida pelo país desde 1973.

O grupo palestino Hamas controla Gaza desde 2007, um território extremamente estratégico situado entre Israel, Egito e o Mar Mediterrâneo que abriga cerca de 2,3 milhões de pessoas.

Em 2012, a ONU reconheceu o “Estado da Palestina” como estado observador, que de forma simples seria: sabemos que vocês são uma nação, mas ainda não vamos oficializar.-

Uma das justificativas é porque ainda não há um território muito bem delimitado do que seria esse Estado da Palestina, isso porque, apesar de a maior parte dos palestinos estarem em Gaza e na Cisjordânia, as duas regiões estão geograficamente separadas por território israelense.

A situação se agrava pela série de embargos impostos por países vizinhos a Palestina, o que o que dificulta a independência e autônima econômica da região, que é dependente muito de importações.

O conflito entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza somou-se a um cenário externo que já era significativamente desafiador até a intensificação do conflito em função de eventos como a luta contra inflação nas economias desenvolvidas, a dificuldade de promoção de crescimento na China e os problemas no campo fiscal dos Estados Unidos.

No mercado financeiro, o impacto pode ser sentido primeiramente nas commodities, principalmente no petróleo. O ataque, automaticamente, já causa algumas restrições com relação a produção e exportação da matéria prima, o que acarretou o aumento dos preços do barril.

Políticas Monetárias e inflação

A gestão das políticas monetárias e a preocupação com a inflação foram temas centrais ao longo do ano. Bancos centrais ao redor do mundo ajustaram suas abordagens em resposta às mudanças nas condições econômicas. A discussão em torno da inflação, seus impulsionadores e o impacto nas decisões de investimento ganhou relevância, influenciando as expectativas dos mercados.

No Brasil, por exemplo, após três anos de aumento da Taxa Selic pelo Banco Central em uma tentativa de controlar a inflação. O Copom começou um ciclo de cortes da taxa em agosto. A taxa encerra o ano em 11,75% a.a. com expectativa de continuar abaixando em 2024.

Já nos EUA o ciclo de aperto monetário continua. O FED manteve em 5,50% a.a. a taxa de juros. As expectativas da CM Capital são de que o início dos cortes pode acontecer a partir do segundo semestre de 2024.

Segundo o comunicado os últimos dados de inflação e de mercado de trabalho divulgados em 2023 não possuíam força o suficiente para mudar o sentido desta e das próximas decisões a serem tomadas pela autoridade monetária do país.

O país está entrando no momento mais delicado de sua política monetária, em que a tarefa dos juros é desaquecer a economia e promover maior estabilidade de preços, com foco no setor de serviços, algo que demandará tempo e um comportamento demasiadamente parcimonioso da instituição.

Crise imobiliária na China

O crescimento da China foi impulsionado durante décadas por um boom imobiliário alimentado pelo aumento da população e da urbanização. Tal impulso foi suficiente para o país registrar uma das expansões sustentadas mais rápidas para uma grande economia na história.

Mas o mercado imobiliário – que representa até 30% da economia – entrou em crise há mais de dois anos, após restrições impostas pelo governo aos empréstimos dos promotores.

O investimento no setor imobiliário caiu em 2022 pela primeira vez numa década e, sem nenhum aporte de Pequim à vista, a crise imobiliária deverá arrastar-se, representando uma grande ameaça às perspectivas de crescimento da China nos próximos três a cinco anos.

Com a desistência de um plano de reestruturação de US$ 19 bilhões, a China Evergrande pode gerar um “colapso incontrolável” no mercado imobiliário, alertaram investidores da empresa nesta segunda-feira, 9. Após dois anos de conversa com seus acionistas, a gigante chinesa alegou que as autoridades reguladoras a impediram de emitir novos títulos, fundamental para se reestruturar, porque sua principal filial estava sendo investigada.

Crise e eleições na Argentina

Nossos hermanos também entram na retrospectiva do mercado financeiro, uma vez que passaram por um ano conturbado economicamente, o que acabou balançando o investidor brasileiro.

Javier Milei foi eleito presidente da Argentina. As propostas do libertário são de cortes nas despesas públicas, redução de impostos, corte de ministérios, “liquidação” do Banco Central e a dolarização da economia.

O presidente toma posse em meio a uma grave crise econômica. O país enfrenta uma inflação altíssima (mais de 140% em 12 meses), desvalorização da moeda nacional, falta de reservas em dólar, endividamento e aumento da pobreza.

Durante sua campanha, Milei afirmava que cortaria laços com países como China e Brasil, mas após vencer as eleições tomou outros rumos em relação a parceria com os países.

Em dezembro, Milei e seu ministro da Economia, Luis Caputo, anunciaram as primeiras medidas econômicas que o governo tomará.

Entre as medias figuram suspensão de gastos públicos com publicidade, redução de ministérios, suspensão das licitações de obras públicas, e cancelamento do contrato de obras já licitadas que ainda não começaram, redução dos subsídios aplicados aos preços de energia e transportes e reajuste do câmbio, que de 400 pesos, subiu para 800.

Essas são só algumas da primeiras medidas tomadas pelo governo. O investidor pode esperar grandes mudanças no rumo da economia argentina nos próximos anos.

A importância dessa retrospectiva do mercado financeiro

O ano de 2023 foi, sem dúvida, um período dinâmico e desafiador para o mercado financeiro global. A interação complexa entre eventos globais, desafios geopolíticos, avanços tecnológicos e mudanças nas prioridades dos investidores criou um cenário rico em oportunidades e riscos.

À medida que nos encaminhamos para um novo ano, é fundamental aprender com as experiências de 2023 e estar preparado para os próximos capítulos que o mercado financeiro nos reservará.

Esta retrospectiva do mercado financeiro serve como um lembrete de que, no mundo dos investimentos, a adaptação contínua e a compreensão profunda dos eventos globais são essenciais para prosperar em ambientes dinâmicos e em constante evolução.

Que 2024 traga não apenas desafios, mas também inúmeras oportunidades para os investidores sintonizados com as tendências e movimentos do mercado financeiro.

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