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Qual a composição do PIB em 2021?

Quando analisamos a composição do PIB, bem como suas projeções para 2021 e 2022, é importante ressaltar a ótica que utilizamos para o indicador em questão. Quando observamos o PIB pela ótica da oferta, isto é, pelos olhos de quem oferece produtos e serviços à população e, consequentemente, à economia, estamos analisando, fundamentalmente, uma decomposição específica para a mensuração do crescimento econômico brasileiro. A intenção deste estudo é apontar que, apesar do crescimento esperado para este ano e o próximo, ocorre uma deterioração da atividade econômica.

Conforme é possível perceber no gráfico abaixo, a somatória de valor adicionado com impostos, ambos nas colunas referenciadas no eixo da direita, de forma que os dados do setor agropecuário, da indústria e de serviços, no eixo da esquerda, representam a composição desta ótica. A partir da análise destas informações, é possível fazer algumas inferências em relação ao grau de importância de certas variáveis econômicas, em detrimento de outras. Também é possível traçar um diagnóstico acerca do crescimento econômico vislumbrado no primeiro trimestre de 2021, frente ao que foi observado ao longo de 2020, que sofreu, sobretudo no primeiro semestre, com a pandemia de covid-19.

PIB PELA ÓTICA DA OFERTA

Chama atenção, inicialmente, a importância de serviços na análise do PIB pela ótica da oferta, representando relevância muito maior do que a indústria e que o setor agropecuário. Outro ponto que vale destacar é que o componente “Serviços” abrange tanto os serviços observados na economia quanto os dados de vendas do varejo. vale destacar, também, que a qualidade do crescimento do primeiro trimestre de 2021 não é sustentável, dado que a parte mais relevante do PIB, pela ótica da oferta, é justificada por serviços, que, no primeiro trimestre apresentou queda.

Portanto, para o presente exercício, buscamos apresentar nossa projeção do PIB a partir da ótica apresentada acima, de forma que daremos, essencialmente, atenção especial à evolução dos dados de serviços, varejo e produção industrial, que correspondem à maior parte das variáveis que explica a atividade econômica.

Antes de apresentar os dados finais projetados, vale a pena fazer uma análise da evolução das variáveis utilizadas no modelo. No gráfico abaixo, é possível perceber que, partindo de uma mesma base (janeiro de 2012 = 100), os dados da indústria e, principalmente, do comércio apresentam crescimento impressionantes, superando, inclusive, a maior observação na série observada (2014). Os dados de serviço, apesar de apresentarem recuperação importante frente ao vale causado pela pandemia de covid 19 em 2020, apresenta um nível inferior ao observado no momento anterior à pandemia. Portanto, com a leitura destes dados, é possível afirmar que o Brasil já apresenta um crescimento que expurga os efeitos nefastos causados pela pandemia na atividade econômica?

EVOLUÇÃO DA COMPOSIÇÃO DO PIB

Não, significa que, apesar desse crescimento na leitura de ponta dos indicadores, e do otimismo do mercado em relação ao nível de recuperação do PIB em 2021, o crescimento atual ocorre sobre uma base extremante deteriorada, de forma que, apesar das projeções de crescimento brasileiro para este ano apresentarem expectativas crescentes, não deve apresentar sintomas de crescimento sustentável no médio e longo prazo, de forma que o horizonte de 2022 já apresenta crescimento abaixo do esperado no ano corrente. Esse diagnóstico fica mais evidente quando analisamos a evolução da composição dos dados de vendas do varejo, comparado com anos anteriores.

COMPOSIÇÃO DO PIB – VAREJO

Na tabela abaixo, é possível perceber que, apesar do nível do varejo (descrito como “VAREJO R.”) apresentar recuperação frente à medição de 2020, que apresentou a mínima histórica, a grande maioria dos componentes apresentam forte deterioração. Combustíveis, Vestuários, Livros, Equipamentos e Outros apresentam a menor leitura de toda série analisada, correspondendo a uma perda significativa de consumo quanto comparado com anos anteriores. Entretanto, é possível perceber que a recuperação é influenciada, sobretudo, por conta de dois componentes muito importantes: mercados, supermercados e hipermercados, que possui uma correlação muito forte com produtos alimentícios, de primeira necessidade, e farmácia, que já vinha apresentando crescimento desde 2017 e, por conta da pandemia, apresentou crescimento ainda maior.

COMPOSIÇÃO DO PIB – SERVIÇOS

O mesmo pode ser dito sobre o setor de serviços, que apresenta forte deterioração de seus componentes. Entretanto, os dados de serviços, mesmo na medição de 2021, ainda não apresentam uma recuperação relevante, como verificado no varejo. Isso acontece, porque o principal componente de serviços foi fundamentalmente afetado pela pandemia, Serviços prestados às famílias, que correspondem aos serviços gerais do nosso dia a dia (restaurantes, cabeleireiro, entre outros). Portanto, a deterioração da atividade também pode ser observada nos dados de serviços, conforme apresentado na tabela abaixo, de forma que apenas os serviços de informação, impulsionados, cada vez mais, pela demanda de trabalho em formato Home Office, além de “Outros serviços”, que apresentaram forte recuperação em relação a 2020.

CRESCIMENTO DA ATIVIDADE FRÁGIL

Portanto, quando analisamos as perspectivas de crescimento que estão no horizonte brasileiro, é importante destacar que é uma recuperação com composição mais fragilizada, de forma que ela acontece sobre uma base mais baixa, no caso de 2020 e em casos anteriores (2015/2016). Entretanto, é inegável que, principalmente quando comparamos com a medição do ano passado, o crescimento de 2021 é evidente, a começar pelo primeiro trimestre, que veio acima das expectativas de mercado. Como é possível perceber no gráfico abaixo, nossas projeções de PIB, tanto para 2021 quanto para 2022 apresentam crescimento considerável, sobretudo no ano corrente, pelos motivos explicados acima.

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