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Confira os destaques do Cenário Macroeconômico para o mês de maio.
MATHEUS PIZZANI •
02 jun 2025 •
4 min de leitura
Atualizado em 1 de setembro de 2025 por Natalia Rodrigues
No cenário externo, a incerteza sobre os rumos da política comercial dos Estados Unidos foi mais uma vez o principal vetor de movimentação do mercado, que segue na expectativa da definição da alíquota destinada às importações provenientes da China e o subsequente impacto da medida sobre o nível de inflação do país. Embora os temores acerca de uma possível recessão tenham se afastado, o dólar seguiu em baixa no mercado de câmbio à nível global, perdendo mais uma vez valor frente moedas de países desenvolvidos e até mesmo de economias emergentes.
Além do risco que paira sobre a dinâmica da inflação e atividade econômica, o último mês foi marcado ainda pelo início das discussões sobre o rumo da política fiscal dos Estados Unidos, cuja caráter expansionista tende a se acentuar significativamente uma vez incorporadas as mudanças propostas pelo governo de Donald Trump no conjunto de medidas enviado ao Congresso.
O plano é marcado por um forte corte de impostos, que tende a afetar negativamente a arrecadação, enquanto busca, em paralelo, recuperar receitas através da redução com gastos públicos voltados para áreas de proteção social. A trajetória da dívida pública do país é monitorada de perto por diversas instituições do país e mesmo de órgãos internacionais, sendo de especial interesse dos diretores do FED, que seguem expressando preocupação com o indicador em seus discursos mais recentes.
A política fiscal retomou protagonismo no debate econômico em maio, com destaque para a divulgação do primeiro relatório bimestral de receitas e despesas do governo federal de 2025 e o conjunto de medidas anunciados pela equipe econômica como forma de buscar o atingimento da meta de resultado primário proposta para o ano. Além da contenção de R$ 31,3 bilhões dividida entre bloqueio e contingenciamento, o Ministério da Fazenda anunciou uma série de mudanças no IOF, imposto que incide sobre transações financeiras e teve alteração nas alíquotas incidentes sobre determinadas linhas de operação.
A expectativa original da equipe econômica era de uma arrecadação de R$ 20 bilhões com a medida, projeção que acabou frustrada em função da reação negativa do mercado e da necessidade de revisão de algumas das alterações propostas pelo decreto, especialmente os valores relacionados a transações com o exterior. As modificações resultaram em perdas de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, que deverão ser compensadas por outras fontes. Agora, o governo aguarda a votação da proposta no Congresso.
No campo das divulgações de indicadores, destaque para o resultado do PIB do primeiro trimestre do ano, que apresentou alta de 1,4% QoQ (+2,9% YoY), desempenho em linha com as expectativas do mercado. O dado foi puxado em grande medida pelo bom desempenho de setores ligados à economia internacional, como a agropecuária e a indústria extrativa, tendo como contrapartida as retrações em setores mais sensíveis aos ciclos econômicos, como a indústria de transformação e a construção, além do crescimento moderado do setor de comércio.
Tal composição afasta, ao menos por enquanto, a possibilidade de novas altas da Selic que tenham como justificativa única e exclusivamente o nível de atividade econômica, com o Banco Central ganhando mais tempo para avaliar os dados que serão divulgados daqui em diante e a necessidade ou não de novos reajustes na taxa de juros base do país.
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