Cenário Macroeconômico – Julho

No cenário externo, as negociações comerciais com os EUA se intensificaram. Japão e União Europeia foram os primeiros a anunciar acordos que reduziram a tarifa comercial anteriormente imposta pelos EUA.

CARLA ARGENTA •

31 jul 2025 •

3 min de leitura

Atualizado em 1 de setembro de 2025 por Natalia Rodrigues

Cenário Internacional

No cenário externo, as negociações comerciais com os EUA se intensificaram. Japão e União Europeia
foram os primeiros a anunciar acordos que reduziram a tarifa comercial anteriormente imposta pelos EUA.

China, no entanto, encerrou a última rodada de conversa sem um desfecho semelhante. Os acordos
comerciais foram bem recebidos pelo mercado, que vê uma condição melhor para o nível de atividade
global e para a própria inflação dos EUA. Essa nova perspectiva reverteu parcialmente a aversão ao risco e
impactou o mercado cambial, consolidando a depreciação do Dólar a nível global.

O mês também foi marcado por um conjunto de indicadores macroeconômicos que reafirmam a
continuidade do cenário favorável nos Estados Unidos. A taxa de desemprego segue em torno de 4,0%,
com uma redução gradual tanto na oferta quanto na demanda por emprego
. O nível de atividade arrefece amparado pela moderação do consumo das famílias e os primeiros dados inflacionários que computam as tarifas de comércio externo não sinalizam a escalada inflacionária dos bens industriais e mostram a continuidade do arrefecimento dos serviços.

Diante desse contexto, o Federal Reserve optou por manter a taxa de juros inalterada na reunião de julho, embora tenha reconhecido a melhora substancial da conjuntura e a redução da incerteza em torno do cenário base. Não à toa, houve divergência entre os membros, com dois votos favoráveis à redução dos juros.

Cenário Doméstico

No cenário doméstico, as atenções se voltaram para a política fiscal em detrimento da política monetária,
que predominou até junho. O relatório bimestral de receitas e despesas contou com a liberação dos
bloqueios feitos anteriormente. Isso só foi possível porque em 2025 as receitas esperadas cresceram R$
25,4 bilhões. A maior parte desse volume, no entanto, é de receitas extraordinária e não representa uma fonte constante de arrecadação. As despesas obrigatórias, por outro lado, aumentaram mais que as
receitas – exceto extraordinárias-, e jogaram luz novamente para a sustentabilidade das contas públicas.

Além das questões fiscais, o anúncio das tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros provocou uma reprecificação dos ativos domésticos e intensificou a aversão ao risco. O mercado focou nos setores
mais impactados, resultando numa queda de aproximadamente 4% no Ibovespa durante o mês, em contraste com os índices internacionais. Essa perspectiva negativa guiou as negociações até o final do
mês, quando os EUA anunciaram uma lista com quase 700 produtos sujeitos a tarifas reduzidas, amenizando os efeitos negativos que já eram considerados no cenário-base do mercado.

Por último, no fim do mês, a política monetária atualizou as projeções inflacionárias do Banco Central, que agora prevê uma inflação menor para o horizonte relevante da política monetária. Mesmo assim, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve uma postura conservadora, confirmando as expectativas do mercado ao manter a taxa Selic em 15% ao ano.

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