Carry trade: veja o que é, como funciona e relação com a taxa de juros

O carry trade é uma estratégia complexa que envolve diversos instrumentos financeiros e um profundo conhecimento do mercado.

NATALIA RODRIGUES •

10 nov 2025 •

10 min de leitura

Pessoa interagindo com gráficos de análise financeira e tendência de mercado em uma tela digital com destaque para velas de candle e linhas de tendência.

Atualizado em 13 de abril de 2026 por Natalia Rodrigues

O carry trade é uma estratégia de investimento que explora a diferença nas taxas de juros entre diferentes países. Em resumo, um investidor toma emprestado em uma moeda com taxa de juros baixa e investe em outra moeda com taxa de juros mais alta. 

A diferença entre essas taxas é o potencial de lucro. Essa estratégia, embora atrativa, não está isenta de riscos, principalmente com o risco cambial, ou seja, a possibilidade de a moeda em que foi investido se desvalorizar em relação à moeda de empréstimo.

Índice:

Como o carry trade é feito?

O carry trade é uma estratégia complexa que envolve diversos instrumentos financeiros e um profundo conhecimento do mercado. Em geral, a execução dessa estratégia requer a análise cuidadosa de diferentes fatores, como:

  • Taxas de juros: A identificação de países com taxas de juros significativamente diferentes é o primeiro passo.
  • Moedas: A escolha das moedas envolvidas na operação é crucial, considerando fatores como a estabilidade econômica do país, políticas monetárias e expectativas de mercado.
  • Instrumentos financeiros: A utilização de instrumentos como contratos futuros, opções e swaps pode ser necessária para implementar a estratégia de forma eficiente.
  • Risco cambial: A gestão do risco cambial é fundamental, pois as flutuações nas taxas de câmbio podem impactar significativamente os resultados da operação.

Exemplo de carry trade

Imagine que um investidor brasileiro deseja realizar um carry trade. Ele observa que a taxa de juros básica nos Estados Unidos está muito baixa, enquanto no Brasil está mais elevada. O investidor, então, toma um empréstimo em dólares a uma taxa de juros baixa e converte esse dinheiro em reais para investir em títulos do Tesouro Nacional brasileiro, que pagam uma taxa de juros maior.

Se a taxa de câmbio entre o real e o dólar se mantiver estável ou se o real se valorizar em relação ao dólar, o investidor terá lucro. A diferença entre a taxa de juros que ele paga pelo empréstimo em dólares e a taxa de juros que recebe pelos títulos do Tesouro Nacional, somada a qualquer valorização do real, constituirá seu lucro.

No entanto, se o real se desvalorizar em relação ao dólar, o investidor pode ter um prejuízo. Isso porque, ao converter os reais de volta em dólares para pagar o empréstimo, ele precisará de mais dólares do que tinha inicialmente, anulando ou até invertendo o lucro obtido com a diferença nas taxas de juros.

Homem analisando múltiplos gráficos de ações na tela de computador, indicando estudo de mercado financeiro e investimentos
Crédito da imagem: Viktoriia Hnatiuk

A estratégia de carry trade é lucrativa?

A lucratividade do carry trade depende de diversos fatores. 

A ideia central é simples: aproveitar a diferença nas taxas de juros entre países para obter lucro. Essa estratégia está sujeita a riscos, principalmente o risco cambial. Se a moeda na qual o investimento foi realizado se desvalorizar em relação à moeda de empréstimo, os lucros podem ser reduzidos ou até transformados em prejuízos.

É importante ressaltar que o carry trade não é uma estratégia de investimento para iniciantes. Ela exige um maior grau de conhecimento do mercado financeiro, uma análise cuidadosa dos riscos envolvidos e a capacidade de tomar decisões rápidas em um ambiente de alta volatilidade.

Carry trade ainda é uma estratégia viável?

O carry trade continua sendo uma estratégia utilizada por muitos investidores, mas sua viabilidade pode variar ao longo do tempo. Fatores como a política monetária dos bancos centrais, a estabilidade econômica global e as expectativas de mercado podem influenciar significativamente a atratividade dessa estratégia.

Em períodos de baixa volatilidade e com diferenciais de juros elevados, o carry trade pode ser uma opção interessante para investidores com perfil de risco mais elevado. No entanto, em momentos de incerteza e com aumentos nas taxas de juros, os riscos associados a essa estratégia podem se intensificar.

É fundamental que os investidores acompanhem de perto as condições do mercado e consultem profissionais especializados antes de tomar qualquer decisão.

Como o carry trade impacta o preço do dólar?

Quando investidores estrangeiros realizam operações de carry trade em um determinado país, eles demandam a moeda local para investir em ativos com maior rentabilidade. Essa demanda adicional pode valorizar a moeda local em relação ao dólar.

Por exemplo: Se muitos investidores estrangeiros estiverem realizando carry trade no Brasil, comprando reais para investir em títulos do Tesouro Nacional, a demanda por reais aumentará, o que pode levar à apreciação do real frente a variação do dólar.

No entanto, essa relação não é linear e pode ser influenciada por outros fatores como:

  • Expectativas de inflação: se a inflação de um país aumentar, a tendência é que sua moeda se desvalorize, mesmo que a taxa de juros seja elevada.
  • Política monetária: as decisões dos bancos centrais sobre as taxas de juros podem afetar a atratividade do carry trade e, consequentemente, a demanda pela moeda local.
  • Crises e eventos inesperados: eventos como crises financeiras, guerras e pandemias podem levar a uma forte volatilidade nas taxas de câmbio, independentemente das operações de carry trade.

O que deve ser avaliado no carry trade?

O carry trade é uma estratégia complexa que exige uma análise cuidadosa de diversos fatores. Para tomar decisões de investimento mais assertivas, é fundamental avaliar os seguintes aspectos:

Diferencial de taxas de juros

A diferença entre as taxas de juros do país de origem e do país de destino do investimento é o principal motor do carry trade. Quanto maior o diferencial, maior o potencial de lucro. 

Estabilidade econômica

A estabilidade econômica do país de destino é crucial, pois um ambiente político e econômico instável pode levar a perdas significativas.

Risco cambial

A volatilidade da taxa de câmbio é um dos maiores riscos do carry trade. É fundamental avaliar a história da moeda e as expectativas futuras para o câmbio.

Liquidez do mercado

A liquidez do mercado é importante para garantir que seja possível entrar e sair da posição com facilidade.

Custos de transação

Os custos de transação, como taxas de câmbio e corretagem, podem impactar a rentabilidade da operação.

Política monetária

As decisões dos bancos centrais podem afetar as taxas de juros e a atratividade do carry trade.

Eventos globais

Eventos como crises financeiras, guerras e pandemias podem gerar incerteza e volatilidade no mercado, afetando o desempenho do carry trade.

Análise de mercado financeiro com profissionais em uma sala de negócios, monitorando gráficos de ações em uma grande tela de computador em ambiente empresarial moderna.
Crédito da imagem: gorodenkoff

Qual a diferença entre carry trade e arbitragem? 

Embora ambos os termos estejam relacionados ao mercado financeiro e envolvam a busca por lucros, o carry trade e a arbitragem possuem conceitos e objetivos distintos:

  • Carry trade: Essa estratégia explora a diferença nas taxas de juros entre diferentes países. O investidor toma emprestado em uma moeda com taxa de juros baixa e investe em outra moeda com taxa de juros mais alta, buscando lucrar com essa diferença. O carry trade envolve um risco cambial significativo, pois a valorização ou desvalorização das moedas pode afetar o resultado final da operação.
  • Arbitragem: A arbitragem consiste em aproveitar as discrepâncias de preços de um mesmo ativo em diferentes mercados. O objetivo é comprar o ativo no mercado onde está mais barato e vendê-lo no mercado onde está mais caro, lucrando com a diferença de preços. A arbitragem busca eliminar as ineficiências de mercado e, geralmente, envolve um risco menor do que o carry trade.

Basicamente o carry trade explora diferenças nas taxas de juros, enquanto a arbitragem explora diferenças de preços.

Quais são os principais desafios do carry trade?

O carry trade apresenta diversos desafios, que podem comprometer a rentabilidade da operação e até mesmo gerar prejuízos. Os principais desafios são:

  • Risco cambial: A flutuação das taxas de câmbio é o principal risco do carry trade. Se a moeda na qual o investimento foi realizado se desvalorizar, os lucros podem ser reduzidos ou até transformados em prejuízos.
  • Risco de crédito: A possibilidade de o país devedor ter dificuldades em honrar seus compromissos financeiros pode levar à desvalorização da moeda e a perdas para os investidores.
  • Risco de liquidez: Em momentos de crise, a liquidez do mercado pode diminuir, dificultando a saída da posição e aumentando os custos de transação.
  • Intervenção governamental: As autoridades monetárias podem intervir no mercado cambial para controlar a volatilidade da moeda, o que pode afetar a rentabilidade do carry trade.

De que forma o carry trade impacta o Brasil?

O carry trade exerce uma influência significativa sobre a economia brasileira. Quando investidores estrangeiros realizam operações de carry trade no Brasil, eles demandam a moeda local (real) para investir em ativos com maior rentabilidade, como títulos do Tesouro Nacional. Essa demanda adicional pode:

  • Valorizar o real: A maior demanda por reais pode fortalecer a moeda brasileira em relação ao dólar e a outras moedas estrangeiras.
  • Aumentar o fluxo de capital estrangeiro: O carry trade pode atrair um volume significativo de capital estrangeiro para o Brasil, o que pode contribuir para o financiamento do déficit em conta corrente e para a redução dos juros.
  • Aumentar a volatilidade do câmbio: As operações de carry trade podem amplificar a volatilidade do câmbio, tornando a economia brasileira mais vulnerável a choques externos.
  • Influenciar a política monetária: O Banco Central pode ajustar a taxa de juros para controlar a inflação e a taxa de câmbio, levando em consideração os efeitos do carry trade.

É importante ressaltar que o impacto do carry trade sobre o Brasil é complexo e depende de diversos fatores, como as condições econômicas globais, as expectativas de inflação e as decisões de política monetária.

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